Nem o “comigo ninguém pode” agüentou...
Ô fase!!! Desisti do príncipe e me contentei com o sapo... Nem assim: o sapo pulou fora. Fora do brejo; do brejo seco que se tornou a minha vida. Nem sei se fiquei triste. Queria um namorado: pobre ou rico, branco ou preto, bonito ou feio, educado ou tosco... nem estava muito preocupada com isso. Queria um namorado. Se fosse rico, louro, bonito e educado não me importaria.
Mas o tempo é ingrato. Tornou-me exigente e chata. Só pode ser isso. Homem não me agüenta... ou então eu não agüento mais mais manter uma relação de namoro. Agora é assim: eu não sei o que fazer mais pra uma relação e dar certo.
Decepções e mais decepções foram surgindo. Só não duraram muito tempo; pois eu penso assim: -se eu posso mudar as decepções, porque curtir uma só? É isso mesmo, a vida nos da essa oportunidade; um dia voce encara uma, no outro dia.... rsrsrsss... a outra decepção. O bom é que vc pode variar. As pessoas, o lugar, a ocasião, voce pode tudo. Não precisa morrer por isso... mude. Curta só um pouco de cada uma, só o bastante para voce aprender que esta vida passa e como passa! E leva-se da vida a vida que se leva, alguém já disse isso.
Quebrar a cara pertence a este mundo, se você não se arrisca, está perdida e perde tudo de bom também.
E a maré andava tão brava que resolvi me defender. Plantei na mesma jardineira: arruda, comigo ninguém pode, espada de São Jorge, guiné e até uma pimenteira. Hum! De nada adiantou!... O que não secou, melou... é verdade!Ah! Esqueci de dizer: antes eu já havia apelado pra todos os santos... Santo Antonio foi o primeiro da lista. Daí vieram Santo Expedito, porque a causa era urgente e... nada! São Judas Tadeu, das causas impossiveis, também não adiantou. Fui pro lado das santas: Rita, Terezinha, Edwiges, Catarina, Bárbara e ... nada, nada e nem ninguém conseguiu fazer nada... Então?!?... Agora estou assim: não me interessa muito se é sapo, burro, veado... seja qual bicho for, no final estou é sozinha mesmo.
Também confesso que se tenho essa aparência na pele, se me aparecem rugas e dores pelo corpo é porque vivi. Na face? Sorri e chorei. Se nas minhas juntas aparecem inchaços é porque corri. Corri atrás do que eu acreditei, corri atrás do que eu amei, atrás dos meus sonhos. Eu vivi.
E você?
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008
Versos e tropeços
* * *
as lutas da vida
venci todas
só não venci o tempo
o tempo não se vence
convence.
as lutas da vida
venci todas
só não venci o tempo
o tempo não se vence
convence.
* * *
só mesmo o implicante galo.
no terreiro da vizinha
Prá aumentar o silêncio
desta rua deserta de sons.
* * *
POEMA DO ATRASO
.........................................
.........................................
.........................................
Vieste tarde.......................
.........................................
.........................................
................... antes nunca.
.........................................
.........................................
.........................................
Vieste tarde.......................
.........................................
.........................................
................... antes nunca.
* * *
COMPATIBIDADE
Discordamos
sobre política e futebol
cachaça e tempo.
Mas amanhecemos sempre
na mesma cama.
COMPATIBIDADE
Discordamos
sobre política e futebol
cachaça e tempo.
Mas amanhecemos sempre
na mesma cama.
* * *
te quero só prá mim
como fruto que se gosta
come-se até o caroço
vou roendo até o osso
pode ser o do pescoço
que é pedaço mais ruim
só não reparto
engulo inteiro
e engulo sapos e lagartos
até crocodilos
mas não te divido
quero posse exclusiva
direitos autorais,
FGTS
melhor não usares a saída
como única estratégia
pois na hora
o gongo não vai soar
nem para te salvar
não quero disputa
nem permuta
nem a puta que pariu.
te quero só prá mim
como fruto que se gosta
come-se até o caroço
vou roendo até o osso
pode ser o do pescoço
que é pedaço mais ruim
só não reparto
engulo inteiro
e engulo sapos e lagartos
até crocodilos
mas não te divido
quero posse exclusiva
direitos autorais,
FGTS
melhor não usares a saída
como única estratégia
pois na hora
o gongo não vai soar
nem para te salvar
não quero disputa
nem permuta
nem a puta que pariu.
* * *
Se te encontrava
Te olhava
Me insinuava
Te lançava olhares atrevidos
Fazia gestos lânguidos
Gastava todo o meu desejo
No toque que te dava.
Se te encontrava
Te olhava
Me insinuava
Te lançava olhares atrevidos
Fazia gestos lânguidos
Gastava todo o meu desejo
No toque que te dava.
* * *
Me faço menina, indefesa
Atrevida, curiosa,
invadindo espaços
Espantando teus sonhos
teus fantasmas.
Percorrendo tua intimidade
Revirando teus guardados
- tão expostos –
descobrindo trilhas
no teu corpo
apagando marcas
no meu.
Menina travessa
cheia de manhas
de truques e artimanhas.
Ingenuidade estudada,
felina
Olhar inocente de criança
carente
que por dentro explode
que mina perigo.
Sou fera que não se doma
mesmo quando me faço menina
travessa ... indefesa ...
indecente.
Me faço menina, indefesa
Atrevida, curiosa,
invadindo espaços
Espantando teus sonhos
teus fantasmas.
Percorrendo tua intimidade
Revirando teus guardados
- tão expostos –
descobrindo trilhas
no teu corpo
apagando marcas
no meu.
Menina travessa
cheia de manhas
de truques e artimanhas.
Ingenuidade estudada,
felina
Olhar inocente de criança
carente
que por dentro explode
que mina perigo.
Sou fera que não se doma
mesmo quando me faço menina
travessa ... indefesa ...
indecente.
* * *
Com olhos de gato pidão
Me cobiças
Me lambes por inteira.
Giro meu corpo na direção exata
da tua provocação
na dimensão exata
do teu corpo
E apenas meu cheiro meu calor
Encosta no limiar da tua coxa
Mas antes que reajas
Retiro tudo
Sedução- cheiro- calor
E um “Tesão” bem grande
Te deixo a ver estrelas, navios
Outros mares que não os meus
Só prá te provocar
Te dar uma lição
Prá que não fiques
Me acordando desejos
Com esses olhos de pidão.
* * *
Procuro nas lojas, nos bares
entre as mesas, debaixo delas
ah! como eu queria encontrar
um amor audacioso
que me desatinasse sem pudor
que me fervesse o sangue
que quando me tocasse
me desse tremedeira
que derretesse este “iceberg”
que vai me cobrindo por inteira
Se sou mesmo doida, nem sei
Me diverte que pensem assim.
* * *
Magia
Pudera eu transformar
Um solitário despir de gestos
De apegos, de afagos
Num virar de corpos do avesso.
Pudera eu transformar
Um solitário despir de gestos
De apegos, de afagos
Num virar de corpos do avesso.
* * *
( . )
e agora
este sentimento que me habita
é tão inútil
quanto os polinômios
que outrora habitaram
meus cadernos primários. * * *
Gosto de tuas mãos
tateando meu corpo
escorrendo por ele
enchendo-se dele.
( . )
e agora
este sentimento que me habita
é tão inútil
quanto os polinômios
que outrora habitaram
meus cadernos primários. * * *
Gosto de tuas mãos
tateando meu corpo
escorrendo por ele
enchendo-se dele.
* * *
Assassinato
Te matei aos poucos
(ou me matastes?)
Dia a dia.
Prazerosamente.
Até que te afoguei
na bebida
e ...
sobrevivi.
Te matei aos poucos
(ou me matastes?)
Dia a dia.
Prazerosamente.
Até que te afoguei
na bebida
e ...
sobrevivi.
* * *
Indeiscência
A madureza do fruto incomoda
Passa-se o tempo da colheita
Explode amargas sementes
o que era doce e viçoso.
Não mais fruto maduro
Se apodrece e decompõe
Perante a vida que ameaça
Fere e corta como um aço
Fazendo do fruto (in)colhido
Depósito de fungos e vermes.
* * *
POESIA BEM HUMORADA
Uma gaivota
vo an do
rasteira
fazendo cócegas
nas águas
do mar.
* * *
SER
(a Antero de Quental)
Como poeta
Se me permite o tempo ...
Faço versos.
Como mãe
Mesmo sem tempo ...
Faço filhos
Como mulher
Sem contratempo...
Faço amor.
(a Antero de Quental)
Como poeta
Se me permite o tempo ...
Faço versos.
Como mãe
Mesmo sem tempo ...
Faço filhos
Como mulher
Sem contratempo...
Faço amor.
* * *
LIMITE
Ultrapasso o cerco
da minha grande pequenez
e me descubro, outra dimensão
do que eu conhecia
Sou forte
Sou vida
Sou eu.
* * *
Ironia
Até o crime compensa
O que não vale
é eu ficar aqui
Sentada lhe esperando
precisando de você
como de uma dor de dentes
precisando de você
como do ar puro
de uma “Chernobyl”.
Até o crime compensa
O que não vale
é eu ficar aqui
Sentada lhe esperando
precisando de você
como de uma dor de dentes
precisando de você
como do ar puro
de uma “Chernobyl”.
* * *
Contra
Prendo a fera
Que mora no meu peito
Detono a bomba que não é relógio
Germino a semente
Que é estéril
Faço nascer flores no inverno
E anjos no inferno.
Prendo a fera
Que mora no meu peito
Detono a bomba que não é relógio
Germino a semente
Que é estéril
Faço nascer flores no inverno
E anjos no inferno.
* * *
Cochilo
A inspiração levada pelo cansaço
os versos se fazem em pedaços
Despencam-se das estrofes
Caem e se perdem
Ao pé da página
Ao pé da cama.
* * *
Romance
O céu empencadinho de estrelas
A lua surgindo tímida
O amor rugindo forte
Abrindo portas
Quebrando cancelas
Saltando muros
Vazando estradas
Espiando pela fechadura
Se derramando no sofá.
O céu empencadinho de estrelas
A lua surgindo tímida
O amor rugindo forte
Abrindo portas
Quebrando cancelas
Saltando muros
Vazando estradas
Espiando pela fechadura
Se derramando no sofá.
* * *
Profecia
Depois de ontem
Fica o futuro
Pois o hoje
Amanhã não existe.
Somos todos pretérito
Do verbo vida(r)
Que conjugamos
Até o infinito
Morte.
* * *
Abro janela
varo estradas
pulo muros,
me procuro
rolo cama
enrosco pernas
e me perco
em teus
braços
entre
(a)pelos.
varo estradas
pulo muros,
me procuro
rolo cama
enrosco pernas
e me perco
em teus
braços
entre
(a)pelos.
* * *
Delicadamente
teus dedos me tocam
Desfolhadamente abre-se
Cada pétala do meu corpo
para orvalhar-se do teu.
* * *
Dentro de mim nasce uma mulher
Que germinou quarenta anos.
Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008
Talvez Poemas
Talvez já tenha postado o que se segue, já não sei. Por não saber se já o fiz, vai de novo. Para me alegrar, tento enfeitar os meus jardins do coração com plantas e flores de todas os feitios, cores e formatos. Como diz Rubem Alves "quem não planta jardins por dentro, não pode ter jardins por fora". Mas, minhas flores estão cinzentas, por mais que eu queira, elas teimam em não colorir-se, precisam de alguem, um amor, para q isso aconteça. Plantar um jardim e construir um lago; primeiro na alma, na fantasia, depois por fora, para passear de mãos dadas, abraçadinhos, bem juntinhos. Eu já comecei a construir o meu jardim. Que ele tenha a força de encher a alma de flores, perfumes, de beijos coloridos."e se te apertarem muito sobre o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhes apenas o que Deus quis dizer com este nosso mundo"(Mário Quintana)
... ainda hoje ando em busca de mim ...enquanto não me achovou largando poemas...Talvez ... (Ana)
Fragmentos
um dia acordei
... ainda hoje ando em busca de mim ...enquanto não me achovou largando poemas...Talvez ... (Ana)
Fragmentos
um dia acordei
cinquenta e tantos anos
tantos e tantos de paixões
outros tantos de desilusões.
É o dia a dia que se acumula
é a idade que pesa.
Não nos ombros como uma carga
Mas na mente, no corpo
Nos atos como um fardo
Ter cinquenta e tantos anos
Trouxe dores para a minha alma
- ela parece tão cansada-
Cinquenta e tantos anos
trouxe responsabilidades
que eu não queria
Suprimiu sonhos
que eu acalentei.
Podiam ser cinquenta os anos
Mas não tantos.
* * *
Por mais que eu me componha
Por mais que eu me componha
A vida me deixa descomposta
Me deixa exposta
Me decompõe
Me vira do avesso
Me perde e me acha
Por mais que eu fuja
Ela me espreita
Me rejeita .
Me rejeita .
Me aceita
Me confunde
Me ilude
Faz de mim gato e sapato
E fazE tanto faz
E há tantos anos
ela me espreita
Que aqui dentro de mim
Tem tanto lá de fora
Por isso sou perigosa.
* * *
Deslize
As noites faço de seda
As noites faço de seda
para que eu deslize
os dias faço de chuva
para que eu me derrame
as madrugadas você faz
e tanto faz.
* * *
Dos olhos da noite
espio a rua quieta...
tão tarde prá ser hoje
tão cedo prá ser amanhã ...
O som do silêncio
me incomoda na janela
que não abro
prá que não me espie.
* * *
Busca
Procuro nas lojas, nos bares
entre as mesas,
debaixo delas
ah! como eu queria encontrar
ah! como eu queria encontrar
um amor audacioso
que me desatinasse sem pudor
que me fervesse o sangue
que quando me tocasse
me desse tremedeira
que derretesse este “iceberg”
que vai me cobrindo por inteira
Se sou mesmo doida,
nem sei
Me diverte que pensem assim.
* * *
IDÉIA MALUCA
Pode ser que seja tarde
* * *
IDÉIA MALUCA
Pode ser que seja tarde
Pode ser até bobagem
Esta idéia maluca
que ronda a minha mente
Nunca levei jeito prá falar
Fico feito besta
Contente só de olhar.
Mas hoje vai ser diferente
Vou deixar a porta aberta
A “champanhe” no gelo
Vestir um robe de seda
Sobre o corpo perfumado
Apagar as luzes
Acender as paixões
Soltar meus delírios
Prender meus grilos
Vulgarizar meus desejos
Rasgar a decência
Chegar a demência
Ceder a tentação.
Pode ser que seja tarde
Pode ser até bobagem.
* * *
Ironia
Até o crime compensa
Até o crime compensa
O que não vale
é eu ficar aqui
Sentada lhe esperando
precisando de você
como de uma dor de dentes
precisando de você
como do ar puro de uma “Chernobyl”.
* * *
Avesso
O proibido me provoca
a ingratidão é meu forte
sou anarquista nos desejos
torço pro time mais fraco
gosto do homem mais forte
gosto da fruta verde
sou mulher madura
sou contra o tempo
contra o regime (...?)
a favor do proibido.
Cirurgia
Revolveram meus guardados
Cirurgia
Revolveram meus guardados
e tudo ficou exposto.
Despiram o impenetrável.
Rasgaram a bisturi
minhas entranhas.
Coisa estranha
não havia mistério.
* * *
À Pasárgada(de Manoel Bandeira)
Vou-me embora prá Pasárgada
* * *
À Pasárgada(de Manoel Bandeira)
Vou-me embora prá Pasárgada
encontrar Manoel Bandeira
na certeza de que por lá
tem espaço prá nós dois.
E mesmo porque, penso eu,
Vou ocupar apenas um cantinho.
E prometo, juro que prometo,
Não interferir nos seus versos.
Esquecer os ciúmes por não ter
descoberto Pasárgada primeiro.
E se por lá, junto ao rei,
encontrar o poeta fazendo versos,
e ele, num arrojo de bondade
me der um dedinho de prosa/poema
volto correndo ao presente
e faço uso do tema.
* * *
Canção dos anos
Quando criança
* * *
Canção dos anos
Quando criança
“Fui no Itororó
beber água e não achei”
com o passar dos anos
perdi o caminho
e nunca mais
ao “Tororó” voltei.
* * *
* * *
Cochilo
A inspiração levada pelo cansaço
os versos se fazem em pedaços
Despencam-se das estrofes
Caem e se perdem
Ao pé da página
Ao pé da cama.
* * *
Romance
O céu empencadinho de estrelas
* * *
Romance
O céu empencadinho de estrelas
A lua surgindo tímida
O amor rugindo forte
Abrindo portas
Quebrando cancelas
Saltando muros
Vazando estradas
Espiando pela fechadura
Se derramando no sofá.
* * *
* * *
Ilusão
Abro janela
varo estradas
pulo muros,
me procuro
rolo cama
enrosco pernas
e me perco
em teus braços
entre(a) pelos.
* * *
* * *
Dentro de mim nasce uma mulher
Que germinou cinquenta anos.
* * *
Deslize
As noites faço de seda
* * *
Deslize
As noites faço de seda
para que eu deslize.
Os dias faço de chuva
para que me derrame.
As madrugadas ...
você faz
... e tanto faz.
* * *
Esperança
Espero por você
* * *
Esperança
Espero por você
em cada manhã molhada de orvalho
em cada tarde morna de preguiça
em cada noite negra de temporal
ou salpicada de estrelas...
espero por você
tanto faz.
Trovinha
Tenho o coração bem no alto da prateleira
Trovinha
Tenho o coração bem no alto da prateleira
bolorento, empoeirado
esquecido e abandonado e o que é pior
ainda acordado.
* * *
Ainda recordando
A noite se abre
* * *
Ainda recordando
A noite se abre
enquanto meus olhos se fecham.
O gemido da música
se distancia
começo a recordar
um meteórico amor
que partiu
de madrugada
deixando poemas
em meus olhos.
* * *
Insacio
amar,amar,amar
* * *
Insacio
amar,amar,amar
é bom amar assim
um, outro e mais outro
Eles chegam e se vão
uns passageiros
outros demorados.
Uns alegres, faceiros
outros sérios namorados.
E a vontade de amar
jamais se esgota
se renova sempre
a cada dia
a cada momento.
É inexplicável.
Tanto amor foi dado
Outro tanto guardado
ainda no peito.
Os amores passam
A vida passa.
E esta insatisfação
este insacio
permanece.
* * *
Preguiça
Vontade de me deixar
* * *
Preguiça
Vontade de me deixar
escorrer pela vida.
Preguiça de viver
leviano desejo de fazer amor
a qualquer hora do dia
sem compromisso
só com a preguiça
que já faz parte de mim
leviana como eu estou.
Escorrer pela vida
Escorregar pelo tempo
Tropeçar em teu corpo
Invadir teus espaços
Dormir nos teus braços.
* * *
Inconcesso
Você para mim é como poesia
* * *
Inconcesso
Você para mim é como poesia
ou é esperança ou é nostalgia
sempre sonhando o futuro
ou recordando o passado
o presente, o momento
sempre sendo adiado
e este vazio, esta carência
crescendo, aumentando
a dor da ausência
o desejo nascendo
em cada beijo sufocado
em cada gesto reprimido
em cada sonho guardado.
* * *
Adormecendo
No vem que não vem
* * *
Adormecendo
No vem que não vem
do sono
sonho poemas
que a manhã sorrindo
se encarrega de apagar.
* * *
Em silêncio
A mente povoada de fantasmas inquietos
Em silêncio
A mente povoada de fantasmas inquietos
que procuram saídas.
O corpo cansado que foge
em inúteis caminhadas
dos encontros cotidianos.
A alma andando
como forasteira.
O coração ansioso batendo inquieto.
silêncio profundo morando em mim.
Ressussitam-se no meu íntimo
velhos amores guardados
que, como reais fantasmas
habitam ruínas do meu ser.
* * *
Desculpa
Bebo para que eu possa aturar os meus "eus" diferentes os meus dias iguais.
* * *
Seqüência
O silêncio cresce
* * *
Desculpa
Bebo para que eu possa aturar os meus "eus" diferentes os meus dias iguais.
* * *
Seqüência
O silêncio cresce
Rasgando a noite
O vento oscila a folha
Que sustenta o verso incontido
No peito do poeta incerto
Forma-se um poema concreto
Como um grito ousado
Que escapa e foge
Como som que não se repete
Como alma que chora e geme
Como corpo que vibra e treme
Como sussurro que se perde
Num gemido de gozo
Então a janela se abre
A madrugada entra
O amante se vai.
A amada acorda
sem toques, nem dedos
sem fantasmas, nem fantasias
sem sombras, nem vozes
sem gozos, sem beijos
Só.
Só.
Como poema abstrato
Que o vento ainda não levou.
* * *
Estações
Eu ando pisando em nuvens
* * *
Estações
Eu ando pisando em nuvens
Sem me importar com as estações
O frio que me entra é na alma
E não me arrepia os poros,
nem a pele
E o verão não queima o meu corpo
O fogo que me arde é nas entranhas.
De flores e sonhos é minha linguagem
E não me parece ainda que é primavera
Meu corpo, fruto doce do outono
Deseja ser degustado por você.
Imaginária Possibilidade
No “outonado” de minha vida
Uno o passado distante
ao que me parece o futuro
Faço uma mistura convincente
nunca sei se é um sonho acordado
ou meu adormecido presente.
Como num jogo metafórico
fantasia e realidade se fundem
Assim me perco inteira no imaginário
entre possibilidade e provisório.
Mas na verdade mesmo
nessa fase em que me encontro
o que mais me encanta
é poder me perder sem medos
com desejos aninhados no corpo
sem remorsos e sem segredos.
É poder me encontrar sem apelos
ultrapassando barreiras e fronteiras
entre seus braços, pernas e pelos.
* * *
* * *
Saudade
Esta saudade
tem sabor de fruta madura
tem gosto e calor de mãos se buscando.
de corpos se tocando
Esta saudade
tem perfume selvagem
de terras longínquas
Esta saudade tem cores
Tem aromas, tem sabores
Esta saudade és tu
É tua falta
É tua ausência
Esta saudade
me enche de vazio
Esta saudade
tem um nome
O teu.
* * *
* * *
Selvagem
E esta fera que cresce
e surge rasgando meu corpo
rompendo o animal enjaulado
é simplesmente meu desejo...
Esse bicho guardado e selvagem que solto,
corre enlouquecido é a vontade antes aprisionada
que agora liberta e serpenteia meu caminho.
Gosto do perigo que me ronda
solto meus delírios mais loucos
meus desejos mais ousados
que como cães vorazes
buscam a caça mais rebelde.
Com precisão de arqueiro medieval
acerto o alvo feroz e latente
mira fácil pro meu corpo carente
E assim perigosamente
fujo do cotidiano que enfastia.
Aproximo e rodeio o desconhecido
e isso ... me atrai.
* * *
Mira
Acerta-me a flecha do desejo
* * *
Mira
Acerta-me a flecha do desejo
e sibilando o ar seco
tange meu corpo
e vibrando no espaço
tinge minha alma
de cores luxuriantes.
E diluída em espasmos loucos
embebe minha vida de saudades
de onde gemidos roucos
de cavernas escondidas
de grutas esquecidas
de tempos já perdidos
que enchiam os ares do passado
surgem agora no meu peito
afugentando dores do presente.
E isso ...
é entre você e eu.
* * *
Devaneio
O que estás fazendo
Devaneio
O que estás fazendo
Nessa noite fria?
Não sei se é final de ontem
ou já é começo de amanhã
Queria te ver
te dar um beijo atrevido
Que começa em tua boca
e escorre pelo teu peito
Que penetre em teu umbigo
que invada o teu corpo
fervendo o teu sangue.
Que encontre o caminho
que deságua no meu corpo.
* * *
Cotidiano
Semanas vazias
* * *
Cotidiano
Semanas vazias
dias sem fronteiras
sonhos limitados e sem cor
meu pensamento faz cálculos
na medida de meus sonhos
impossibilidades vão surgindo
o pensamento se mistura
entre permanente e passageiro
minha alma se debruça
na imaginária natureza
sobre o córrego que rumoreja
e versos brotam contidos
embalados ao som do vento
uma onda sonora me arrasta
e devora o meu pensamento
entre espalhafatosos suspiros
e mirabolantes desejos
Ainda não acreditando
que o amor de ontem
hoje é apenas
parte do passado.
* * *
No espelho
Tento desenhar com os olhos
Tento desenhar com os olhos
a imagem no espelho
Me olho e não me vejo
Preciso com urgência
de uma alegria qualquer
no rosto onde o sorriso
não mora mais.
Preciso com urgência de palavras amenas
na boca onde o beijo
se faz ausente.
Puro desapontamento.
Tento e não consigo
alterar este semblante envelhecido.
Onde encontro o avesso de mim?
Onde está a mulher de ontem?
Me olho e não me vejo.
Num movimento descubro
nossas fantasias alçando vôos
Vestidas apenas de desejos
Vestidas apenas de desejos
Numa imagem trêmula
Que se torna meu reflexo.
Perdidos na memória
ficaram os motivos, as dúvidas
as promessas e os momentos.
Perdidos no corpo ficaram somente
o amor disfarçado e a vontade guardada
o desejo velado e as marcas do tempo.
Apenas me olho não me vejo.
* * *
Ainda
Quero a ânsia da espera
Quero a ânsia da espera
pela chegada de quem amo
Quero o temor de que algo
te impeça de vir até mim
ao mesmo tempo a certeza
de que nada ou ninguém te deterá.
Acordar num dia qualquer
dizer te amo sem medo de errar
Sentir a dor da saudade
mesmo antes da tua partida
Sentir o medo de te perder
mesmo antes de te encontrar.
* * *
Estratégia
Primeiro você me busca
* * *
Estratégia
Primeiro você me busca
me provoca, me perturba
e quando já meio confusa
vou cedendo aos seus apelos
me entregando aos seus anseios
foge, muda as estratégias
confundindo a minha cabeça.
invadindo os meus sonhos
como se dono, fosse deles.
Depois se retira, desaparece
como se assim pudesse
Cobrir o vazio que deixou.
apagar o caos que já causou.
Terça-feira, 4 de Novembro de 2008
Versos de agora, de ontem e de sempre
Onomatopéia do amor
No tilim do telefone
Meu coração faz tuf
No tic tac do relógio
Me apronto fico chic
Vou te ver
Vapt! Vupt!
Partida
Fiquei chorando sua partida
Por três dias e três noites.
Engraçado, afinal não foi triste
Triste foi o fim do amor
Era a três.
Destino ( Será? )
O menino olha o céu
lua de prata
estrelas de ouro
tudo brilhando. Sorri.
Da fresta do telhado
no alto do morro
a vida é bela.
Que uma bala perdida
não o encontre.
Saudade
Chego em casa
Beijo sua foto
Leio o bilhete
Morro de saudade
Entro no chuveiro
Choro e grito a vontade
Quero te ver.
Troco de roupa
Saio para a rua
Sento num bar
Bebo um campari
e mais outro
agora com gelo
Pronto.
Já te esqueci
amanhã recomeço.
Quase paixão
Tomo um banho perfumado
Saio com o corpo molhado
Escorrendo água pelo chão
Respingando paixão.
Durmo um sono agitado
Sonho que você havia partido
Acordo e olho ao meu lado
Você nem veio.
Loucura (Momento)
Não me importa o desespero,
Quero amar, viver de novo
Contorcer de puro gozo
Longas noites de prazer.
Sem medo do ridículo
De correr atrás de ti
Agarrar-te pelas pernas
Rastejar-me a teus pés
Dizer frases confusas
Fazer cenas obscenas.
Quero ser amada, possuída
Que seja uma aventura
Num quartinho obscuro
Ou mesmo atrás do muro
O que vale é a audácia
O momento mágico
A paixão.
Andança
Ando na boca da noite
Com meus pés de vento
Espiando por becos escuros
Como um cão vadio
Não procuro ninguém
Nem quero que me encontrem
Fujo da chatice de uma vida
Mal vivida, mal dividida
Busco a liberdade de ser eu
De ser dona de mim
Fazer o que eu quero.
De repente encontro
Livre sem ninguém
Um menino de rua
Sujo, jogado, drogado
.............................
O preço é alto.
Volto prá casa
Feliz da vida.
Entro no chuveiro
Água quente, toalhas macias
Perfumes caros, lençóis limpos
Me jogo na cama
Me prendo em braços e pernas
Sou feliz . ( ? ! ? )
anjo
porque tornastes anjo
não devias me provocar
nem falar nada
nem tampouco pensar
ficando mudo, quieto
já és presença bastante
que me desorienta
me tira do sério
ainda és tão criança
tens tanto da vida a tomar
melhor não dizeres nada
sair assim de mansinho
sem que eu perceba
como um anjo.
Muito tênue
De uma quase madrugada
De um quase distante lugar
Uma voz distante se faz presença
Lenta, suave melodia
Falando de amor,
sonho, fantasia
Ganhando espaço
No físico do meu corpo
Tomando forma
Se insinuando
Na minha mente
Se fazendo presente
A voz me acariciando a pele
Esquenta meu sangue nas veias
Que se dilatam
Se inflamam
E me incendeiam
Num quase gozo.
Vacilo
Digito seu nome em negrito
Da tela você me sorri
Esqueci, não salvei
... você ... eu perdi.
Adolescência
Cabeça de mocinha voada
Não aprende nada
Mentira.
Física, matemática
Química, geografia
sabe até de cor
Conta cada abraço
Cada beijo
A reação dos corpos
O espaço físico
A liberação do ar
Dilatação dos vasos.
O espaço físico
Sua história de amor
Sabe até o futuro
Profetiza
Felizes para sempre
Ou ... até quando durar.
Manhice
Invejo sua calma
Me agrada sua manha
Esse faz de conta que quer.
Quando me aproximo
Me desencanta
Vestido de festa
Abro o armário da saudade e vejo
No cabide lá no fundo guardado
Meu estranho vestido de festas
Já mal cheiroso, até mofado
Vazio de cores
Cheio de desencantos
Olho para ele e ainda ouço
O som da música no ar.
O gosto dos coquetéis me vêm à boca
Assim como os beijos que não dei
Era festa tudo em volta
Sons, vozes e luzes fluindo
Você ... bem, você não foi
Senti-me pequena, apagada
Meu vestido de festa... ridículo
Os sons e as cores sumiram
Da festa ... não restou mais nada.
Em casa pendurei o vestido
No cabide mais escondido
Junto com a minha decepção
O vestido ainda guardo
A decepção ... troco a cada dia.
Mentira
Quando me apronto
e você me sorri
me achando tão linda
até me convence
que sou realmente bela.
Quando estou triste
e você me sorri
tentando me alegrar
não me convence
a vida realmente
não é bela.
A cor da dor
Se dor é colorida
De que cor será a minha?
Sei que é forte, berrante
E as cores também são fortes
Algumas escandalosas, gritantes.
Existe a dor do amor
E a dor da raiva.
A dor da separação
E a dor da saudade.
A minha dor é a mais forte
É a que mais dói
Pois é minha
E é enorme
Enche todo o meu corpo
Toda a minha alma
E a carrego sozinha.
Acho mesmo que a dor tem cor.
Se tem, queria que a minha
Fosse verde.
Quem sabe amadurecia
Apodrecia
E nem mais doía?
E passa o tempo
Gosto de ficar no alto na janela
Vendo o povo passar
Me sinto poderosa, por cima
Rainha, dona da situação
Tudo girando à minha volta
Carros, pessoas, o povão
Uns devagar, outros correndo
Passam conversando, rindo
Outros quase chorando
Uma mistura de sons e cores
É bonito. Não sei quem são
Não conheço seus problemas
Sou soberana. De novo rainha.
A noite cai e as pessoas
Ainda passam na minha rua.
Já madrugada
Não vem mais ninguém
Continuo na janela
Já não sou rainha.
Apenas prisioneira
Uma escrava, sem vontade
A espera de alguém
Que me arranque desta janela.
Que me leve longe daqui.
Do que se perde
Quando nos encontramos
Decidimos que seria eterno.
A cidade era pequena
Prá caber tanto amor
Decidimos fugir.
Na manhã seguinte
Perdi o ônibus
o rumo
a esperança
Só encontrei
Saudade à minha espera.
Irônico
A menina amava o moço
Que sonhava com as mulheres
A menina cresceu, virou moça
Foi para a cidade virou mulher
Voltou para amar o homem
Que agora amava as meninas.
De madrugada
Na chegada o apito do trem
Sacode a cidade que dorme
Ela acorda e vira pro canto.
Na saída o trem apita de novo
Ela dorme e se enche de sonhos
Que o apito do trem
Leva para longe.
Troca
Ensinaram-me que
com o limão
que a vida nos dá,
faz-se uma limonada.
Com as pedras
que nos atiram
ergue-se uma construção.
E o que fazer
com os beijos
que não me deram?
Diferença que se faz
Juventude
todo o tempo
Que existe no mundo
Toda pressa do tempo
Espaço pequeno
Ansiedade enorme.
Os anos passando
Agora
espaço enorme
Paciência sem limite
. . . o tempo ?
. . . esgotando.
Maura
Menina delicada, pequena se faz
Afogando no coração escondido
Uma dureza quase granito
Refletindo nos olhos azuis de mar
Ainda que tu não queiras
Buscas esconder bem no fundo
Que és frágil, cheia de calor
Que és ardente, és mulher
E também precisas de amor.
Oferenda
Um corpo cheinho
De amor e pecado
Cheirando sexo
Todo molhado
Amadurecido
Guardado
Na espera
Adormecido.
Ritual
Uma garrafa na mão
Cheia de coragem
Meu caminho, escolho eu.
Organizo um ritual.
Quero que me encontres.
Uso um vestido vermelho
Muitas flores no cabelo
Muito aroma no corpo
Muito desejo no olhar
Deixo pistas e cheiros
Num ar de mistério.
Invado o ambiente
Querendo te encontrar.
Mas, tu, que contraste!
Surgiste tão de repente
Com tanta pompa e pose
Tão vazio de sentimentos
Tão cheio de orgulho e de si
Que passando ao meu lado
Nem me sentiste
Nem me despiste
Nem ao menos com o olhar.
Alquimia
Diluo meus sonhos cinzentos
Numa clara manhã de sol
E na mistura que se forma
O dia se torna colorido
Meus sonhos ganham brilho
Se perdem no infinito espaço
Transformam-se em entrelinhas
Que ainda não aprendi a ler.
Meus “eus”
A porta se abre. O vento entra
E me convida a sair com ele
Caminho devagar, vacilante, confusa.
Volto a cabeça vislumbro meu eu
cansado, perdido, totalmente perplexo.
Olho para mim; outro eu, descubro
Aventureiro e livre
que me acena um mundo novo
Totalmente diferente
Se descortinando
Ante meus olhos atônitos.
E como num rápido jogo
movo a cabeça
de um a outro lado
E fico parada
plantada na porta.
E espero e espero
Até que outro vento
Com uma rajada
Me toque para um lado
ou para o outro
Para dentro ou para fora
E decida por mim
O que eu não tenho coragem
De ao menos desafiar.
Lembrança . . . presença
Gostava agora de poder sentir
Que ele está pensando em mim
Mas se estiver pensando
Estará lembrando
E lembrando . . .
Não estará comigo.
Lembrar é estar ausente
É trazer presente
As recordações.
Prefiro a presença
Sem a lembrança.
INDECISÃO
Não sei se odeio Hitler
Não sei se busco Cristo
Não sei se leio Nietzche
Apenas sei que quero paz
Paz ... paz onde se encontra
Dizem que estando com Deus
Estamos em paz .. e eu?
Serei tão mesquinha ao ponto de
Deus Ter se afastado de mim ?
Ou vice versa: será que ainda eu
Afastei-me tanto Dêle – o Cristo –
Que agora é difícil se aproximar
Não sei. Não sei, nada sei eu
A não ser que me encontro perdida
Entre caminhos desconhecidos
E longos
Que ainda não sei
Onde irão me levar.
Fuga
É tão difícil substituir você
Que saio desabalada fugindo
E mesmo assim não querendo
Acabo sempre em seus braços
me escondendo
E a fuga já tornada sem efeito
Vai se transformando no meu peito.
Uma vontade nova vem surgindo
A de instantes atrás substituindo
E a promessa, já enfraquecida
Se deixa ficar num canto
Esquecida.
Castração
Já não sinto vontade de viver
Mas também não quero morrer
O estado transitório me assusta
Nem sei se quero ser.
Ouço passos a cada minuto
Olhos me seguem a todo instante
Vozes me sussurram nos ouvidos
Mãos tapam minha boca
Enquanto anseio por um grito
Se tento esconder-me, sinto medo
Se me revelo, não sou eu.
Desculpa
Bebo para que possa aturar
Os meus “eus” diferentes
Os meus dias iguais.
Sempre a chuva
Ouço a chuva
Sempre a chuva.
Gosto dela assim mansa
Parece pranto
Sofrido, doído
A rolar mansamente
Embalando levemente
Meu pensamento.
Parece pranto
Que já não rola
Na mina face
Mas no meu peito.
Ouço a chuva
Parece pranto
É só a chuva.
Noturno
A noite se abre enquanto
Meus olhos se fecham.
O murmúrio da música
Se distancia.
Começo a recordar
Aquele meteórico amor
Que partiu numa madrugada
Deixando apenas
Poema em meus olhos.
Sem tempo
O tempo não me deixa tempo
De ouvir o que não tive
Nenhuma chance de dizer;
E nem de descansar no seu corpo
Os meus sonhos de amor.
Volúpia
Ouvir música romântica
sonhar o amor distante
dar sentido, um rumo
às fantasias guardadas
esquecidas na memória.
Buscar uma imagem
um nome para chamar
um perfume para lembrar
um corpo para tocar.
Trazer o teu virtual
para meu mundo real.
Tocar teu corpo,
cheirar teu cheiro
beijar tua boca.
Farfalhar de roupas
se perdendo no chão.
Sentir tua pele
roçar na minha
Sentir teu suor
misturar no meu
sentir meu corpo
buscar o teu
... quero te amar.
Motivo
Ouvir música romântica
sonhar um sonho distante
que faz ressurgir
que renasce da esperança
de dar um sentido, um rumo
as fantasias guardadas
esquecidas na memória.
Buscar uma imagem, um rosto,
um nome para chamar
um perfume para lembrar
um corpo para tocar.
Trazer o teu virtual
para meu mundo real.
Tocar teu corpo,
cheirar teu cheiro
beijar tua boca.
Sentir um farfalhar de roupas
se perdendo pelo chão.
Sentir tua pele
roçando na minha
Sentir teu suor
misturando no meu
sentir meu corpo
buscando o teu
querendo te amar
procurando um motivo
pra ser feliz.
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